Alguém consegue entender o que acontece no mercado de quadrinhos no Brasil? O governo anunciou há pouco tempo que vai financiar projetos de HQs porque "é um mercado em expansão" segundo o que dizia o texto que li na Folha Online.
Além disso, editoras de quadrinhos surgem aos montes. Cada vez mais gente entra no mercado para lançar álbuns dos mais diversos tipos. Isso tudo, claro, é ótimo para quem lê, mas para as editoras mesmo eu já não sei.
Acompanho o mercado de HQs no Brasil há anos, primeiro como leitor, depois como jornalista (cobrindo para a revista e site Herói) e depois como editor-chefe (da Pixel).
Revistas em quadrinhos, até onde se sabe, têm tiragens cada vez menores no Brasil. Se as tiragens são menores é porque as vendas hoje também são menores do que há vinte anos, por exemplo. E mesmo assim tem gente investindo.
Tenho uma teoria sobre isso: há uma proliferação de editoras médias e pequenas, a maioria é totalmente independente. Ou seja, a única coisa que explica esse fenômeno brasileiro é que fãs e amantes da arte cada vez mais se enfiam no mercado. Muitos deles, inclusive, tiram dinheiro do bolso para bancar a produção, já que em muitas vezes as vendas quase nunca geram lucro. Para ter lucro nesse mercado, só fazendo algo numa escala maior, como a Panini, por exemplo. As editoras menores, em geral, empatam seus investimentos, perdem muito, perdem pouco ou, no máximo, ganham quase nada.
Só o amor mesmo explica a existência delas todas, com raras exceções. Tanto é que a Ediouro já comprou a Desiderata e surgiu aquela onda de boatos sobre a compra da Conrad. Ou seja, as editoras de quadrinhos estão pedindo água.
Daí, eu estava outro dia lendo o Blog dos Quadrinhos lá do UOL e tinha uma entrevista com o pessoal do HQ Maniacs. A entrevista era para falar da batelada de material nacional que a editora estava e está lançando. Num dado momento, o jornalista perguntou sobre o investimento, se o pessoal da HQM estava esperando um bom retorno ou qual era a expectativa e tal. A resposta foi algo do tipo: ah, estamos lançando aí, o dia de amanhã a gente não sabe.
Daí é que vem a comprovação da minha tese: o mercado de HQ brasileiro está cheio de fãs. Isso é bom? É ruim? Depende do ponto de vista que se olha.
sexta-feira, 12 de setembro de 2008
Assinar:
Postar comentários (Atom)

1 comentários:
Caro Braz Jr.:
Penso que o mal do mercado editorial brasileiro - e coloco aí tanto as editoras de HQs quanto as de livros em geral - é o amadorismo. Trabalho no ramo há catorze anos e tenho livros publicados há quase três (procure pela Coleção Necrópole). Pretendo lançar quadrinhos de minha autoria em, no máximo, um ano. Se os fãs de HQs estão mesmo a fim de mudar o mercado, desejo a eles muita boa vontade, bastante disposição, uma paciência maior que a Lua e parcerias com gente que tenha uma visão de CONJUNTO e de MERCADO profissionais. Porque uma coisa é conhecer os vícios do mercado; a outra é ter a sensibilidade de saber o que o público quer e saber que divulgação e distribuição são dois dos pilares principais para um produto ter sucesso.
Abraço!
Giorgio Cappelli, fã, autor e otimista incorrigível.
Postar um comentário