
Estou criando tantas séries aqui no V Oitão que daqui a pouco nem vou lembrar de atualizá-las. Não sei por que, mas me deu vontade de escrever hoje sobre Ruas de Fogo, um dos preferidos aqui da casa.
Lançado em 1984, o longa tem produção de Joel Silver, o mesmo cara que hoje é um dos mais poderosos de Hollywood e responsável pelas séries cinematográficas Máquina Mortífera, Matrix entre outros hits. A direção é de Walter Hill, que já tinha feito 48 Horas, um belo sucesso com Nick Nolte e Eddie Murphy.
Ruas de Fogo (Streets of Fire) surgiu para ser uma espécie de musical rock'n'roll, bem retrô, numa linguagem meio MTV, meio quadrinhos. A história mostra o mercenário Tom Cody (Michael Paré, um dos canastras mais bacanas do cinema) voltando à sua cidade para resgatar seu ex-amor, a agora estrela do rock Ellen Aim (interpretada pela lindona Diane Lane). Ela foi seqüestrada por uma gangue de motoqueiros liderada por Raven Shaddock (Willem Dafoe com sua melhor cara de vilão, incluo aí o Duende Verde). Bom, o pau quebra geral entre o lado do bem e do mal. Para encarar os inimigos, Tom recebe a ajuda de Billy Fish (Rick Moranis) e McCoy (Amy Madigan).

O roteiro é bobinho, com os bonzinhos contra os malvados, tipo um filme do Elvis, com o bem triunfando e o heroizinho detonando o vilão. Você já sabe quem vai ganhar desde o início. Mas isso não é o que importa aqui e sim outras duas coisas que chamam muito a atenção no filme: o visual e as músicas.

Ruas de Fogo foi feito nos anos 80, mas uma frase no início da projeção dá a dica: "Em outro tempo... em outro lugar". E é isso mesmo, Ruas de Fogo é uma fábula rock'n'roll e por isso tem uma história idealizada, com o herói bonitão vencendo o inimigo e ficando com a mocinha gata no final. Além disso, por se passar em outra época, o visual acaba sendo uma mistura muito legal de um mundo oitentista com elementos dos anos 50. Carros antigos, neons e fumaça dão o tom do que se vê na tela.

A parte musical arrebenta. Ellen Aim virou - na história, claro - uma cantora de rock bem famosa que canta músicas épicas típicas dos anos 80, um negócio meio ali na praia da Bonnie Tyler em "Total Eclipse of The Heart". São aquelas músicas que todo mundo que assiste ao filme fica esperando o refrão chegar pra cantar junto, saca? Por essas qualidades, a trilha sonora conseguiu arregimentar seus fãs mundo afora e a imagem de Ellen Aim ficou grudada na mente de quem já assistiu a produção.
Mas Ruas de Fogo foi um fracasso de bilheteria. Fez tão pouco dinheiro que deixou Joel Silver seriamente preocupado sobre a continuidade de sua carreira como produtor. Só para você saber, o filme seria o primeiro de uma trilogia protagonizada pelo personagem de Michael Paré. Por causa da pouca grana que rendeu, as continuações nunca saíram e Paré foi condenado a ficar atuando em filmes de quinta categoria para o resto da vida.

Acontece que, ao contrário do que muita gente poderia imaginar, Streets of Fire acabou virando um cult oitentista. No Brasil ele chegou a ser um hit das locadoras naquela década e foi um dos primeiros VHSs alugados por este que vos escreve neste momento. E não foi apenas no Brasil que a coisa fez sucesso. No Japão também há muitos fãs do longa, tanto que ele é citado no anime Bubblegum Crisis, com uma das personagens trajadas como Ellen Aim.

Só para finalizar, o nome Streets of Fire foi tirado de uma música do álbum Darkness on the Edge of Town, do meu amigo Bruce Springsteen. Era para esta canção estar no filme, mas quando Bruce ficou sabendo que ela teria que ser cantada por outro cantor, não deu permissão.

Ano que vem Ruas de Fogo completa 25 anos.








































