Como todo mundo sabe, sábado é o dia mundial de ir à
Comix (até porque eles não abrem mais aos domingos, mas beleza) e lá fui eu conferir as novidades. Lá chegando, di de cara com a nova edição de
Sandman, agora aos cuidados da
Pixel Media.
Ué, mas a
Conrad não publicou Sandman inteiro, numa edição luxuosíssima, com extras, capa dura, papel bom e o escambau a quatro? Para que outra edição? É, esse é uma pergunta que vem à cabeça de todo mundo quando se entra neste assunto. Mas a resposta é simples:
Sandman é um clássico dos quadrinhos modernos e, como todo clássico, tem sempre que estar disponível para as pessoas. Ok, você vai dizer, mas os álbuns da Conrad estão todos disponíveis ainda. Nem todos, o primeiro -
Prelúdios e Noturnos, por exemplo - está esgotado.
Mas enfim, a outra pergunta que sempre aparece é: como superar a versão conradiana de
Sandman. A resposta é: da maneira que a Pixel está fazendo.
A idéia de republicar
Sandman na Pixel não é nova. Ela surgiu quando a editora adquiriu os direitos da linha
Vertigo. Nessa época (eu ainda estava trabalhando lá) tínhamos que esperar a Conrad terminar de lançar a coleção completa (ainda faltavam umas três edições, ou seja, levaria ainda vários meses) para apenas depois chegar a nossa vez (nossa porque eu ainda estava lá, veja bem).
O lance é que esse tempo chegou e a Pixel, agora sob os cuidados da edição de grande
Cassius Medauar, relançou Prelúdios e Noturnos, que tem sua primeira parte impressa neste primeiro volume da coleção.
A versão pixeliana tem vários tipos de atrativos mesmo para quem já comprou toda a coleção da Conrad. Vamos enumerar aqui o que tem de legal:
1) O formato é mais amigável para leitura. O da Cornad era sensacional, mas era meio embaçado para ler, já que era um livrão pesado de carregar. Além disso, não era algo para ficar levando para cima e para baixo. É bonitão para deixar lá na estante, mas não ajuda muito na hora de ler. Já o da Pixel é no formato próximo ao americano (quase do tamanho da Pixel Magazine, se não me engano), mais fino e com capa mole (mas de boa qualidade). Quer dizer, dá para levar pra qualquer canto, ler ali expremido no banco do ônibus ou do metrô. Bom, o papel é couché, há reserva de verniz na capa, orelhas e coisa e tal. É bem bonitão também, embora mais simples que o da Conrad.
2) Claro que o preço é um atrativo significativo. O da Conrad custava em média R$ 65, bem pagos, diga-se, afinal todo o luxo pedia um preço alto. O da Pixel sai por bons R$ 29,90. É um preço justo pela qualidade do material e pelo clássico que Sandman é.
3) O "novo"
Sandman vem inteiramente recolorizado digitalmente, o que moderniza a obra. A versão da Conrad era com as cores originais dos anos 80 e 90, que deu uma certa evelhecida, embora tenha todo o seu charme, afinal foi daquele jeito que a obra foi publicada originalmente. A recolorização foi feita pelo povo da Wildstorm, selo da DC comandado por Jim Lee, e foi lançada nos EUA na edição
Absolute Sandman, um mega tijolo com a saga completa.
4) A Pixel também traz extras inéditos que inclui comentários de
Neil Gaiman, rascunhos e comentários sobre a produção das sensacionais capas de
Dave McKean.
Enfim, é por essas e outras que o trabalho da Pixel é algo que merece ser conferido. Tenha você comprado a edição da Conrad ou não. Uma edição não anula a outra. É óbvio que todo mundo vai pensar no surrado dinheirinho de cada dia e ver o que é mais interessante fazer. Mas, no mundo ideal, o certo é ter a coleção da Conrad e da Pixel.
